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Mercado e meio-ambiente foram temas em destaque no encontro

A VIII Assembléia Ordinária da Câmara Interamericana de Transporte – CIT foi realizada nos dias 17 e 18 de outubro, em São Paulo/SP, com a presença de representantes de 13 países da América do Sul, Central e México. A abertura dos trabalhos contou com a presença do secretário dos Transportes de São Paulo, Mauro Arce, que discorreu sobre a infra-estrutura de transportes do Estado.

Após cinco anos a CIT voltou a reunir-se em São Paulo/SP, cidade onde a Câmara foi criada em histórica reunião realizada em 2002. Na avaliação de Paulo Vicente Caleffi, secretário geral da CIT, a integração dos países está ocorrendo através da alavancagem do conhecimento, que é proporcionada nas assembléias semestrais da entidade. Segundo Caleffi, o nivelamento do conhecimento diminui todas as distâncias entre as nações que compõem a CIT.

As dificuldades de mercado do transporte rodoviário de cargas foi um dos temas destacados pelas delegações de diversos países. O Chile assinalou que a informalidade avilta os preços. O Panamá aponta que o país busca referenciais de ajuste dos fretes, enquanto a Colômbia celebra a criação do IPT, um índice oficial de preços que terá revisões trimestrais. Ainda nas questões de mercado o México destacou o tratamento discriminatório que os transportadores internacionais recebem por parte das autoridades norte-americanas.

A importação de caminhões usados foi outro tema coincidente entre algumas das representações. O Chile e México interpretam que os caminhões usados dificultam as políticas de renovação de frotas e ampliam de forma desmedida a capacidade de oferta de transporte em seus países. Pedágios caros, associados a impostos já incidentes sobre os combustíveis, destinados à manutenção e construção de estradas, foram temas trazidos pelo Chile e Brasil. O Equador reivindicou o apoio da CIT para que e leve a cabo o projeto de ligação entre Manaus e Manta, um porto no Pacífico, o que ampliará as possibilidades de transporte para o Oriente.

O representante da ALADI discorreu sobre o livre fluxo de pessoas e cargas no âmbito das Américas, considerando que o panorama é complicado pela falta de planejamento neste setor, assim como pela ausência de normas harmônicas entre os países. Segundo Nestor Luraschi, na América Latina o transporte é 28% mais caro do que no resto do mundo.

O álcool e o biodiesel e suas potencialidades como solução energética para o transporte, mereceram uma abordagem detida, devido à valorização da gestão ambiental, segurança energética e o interesse global, em apresentação proferida por Roberto Shiraishi, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As relações entre transporte de carga e operações logísticas apontam uma tendência crescente para que o setor avance em direção à logística. Segundo o consultor Marco Antônio Neves, num ambiente de alta concorrência e volatilidade dos negócios, o modal rodoviário tende a diminuir sua participação, sendo que a saída para os transportadores é a especialização de suas atividades, combinada com a ênfase ao planejamento e à priorização do lucro.

A Assembléia da CIT também analisou as parcerias público-privadas, interpretadas como uma decorrência do baixo nível de investimentos em infra-estrutura por parte dos governos. Ainda que entendidas como necessárias, foram mencionados exemplos nos quais soluções mais justas foram encontradas, como na Argentina, onde os transportadores de carga ficaram isentos dos pedágios devido à interpretação de que o setor já paga impostos embutidos no preço do combustível para manter as rodovias, assim como pelo interesse social da atividade.

O Brasil apresentou o Projeto Despoluir, patrocinado pela Confederação Nacional do Transporte, cujo objetivo é reduzir o impacto da poluição do ar ocasionada pelos motores dos veículos de transporte do país. Segundo estatísticas da CNT o setor é responsável por 9% da emissão de CO2 no Brasil.

Tecnologia de comunicação veicular como fator de segurança e produtividade, o emprego de novas combinações de semi-reboques no transporte de cargas, e o sistema de transporte de passageiros na cidade de Curitiba/PR, no Brasil, foram outros temas trazidos à reunião, que encerrou com debates sobre a concorrência entre o transporte de passageiros por via rodoviária e por avião, e entre mototáxis e empresas de encomendas, no caso das cargas.

A Câmara Interamericana de Transportes está prestes a obter o reconhecimento oficial da OEA – Organização dos Estados Americanos e da ONU – Organização das Nações Unidas, e já tem sido convidada para as reuniões setoriais do transporte, quando promovidas por estas entidades.

A próxima Assembléia da CIT será realizada em abril de 2008 no Panamá.

 

 

 

ACTA DE LA 8ª ASAMBLEA ORDINARIA DE LA CIT

PROPUESTAS 8A ASAMBLEA

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